| Se “aprender inglês” significa conhecer sua estrutura, saber formar frases interrogativas e negativas no seu caderno sem errar, decorar os verbos irregulares e algum vocabulário e colocar frases na voz passiva, então você já aprendeu isso na escola e não precisa mais se preocupar, está pronto para este novo século.
No caso acima, “aprender inglês” significa armazenar informações e conhecimento a respeito da estrutura gramatical da língua na sua forma escrita predominantemente.
Se “aprender inglês” significa memorizar frases e expressões de forma repetitiva, terminar o livro “X” do cursinho “Y” ou ter um certificado do cursinho “Z”, então muitos de vocês tambem já estão prontos.
No caso acima, “aprender inglês” significa marchar no compasso de um plano didático predeterminado, memorizando vocabulário, frases e expressões de forma mecânica ou repetitiva em contextos fora da realidade do aluno. O pensamento continua a se estruturar nas formas da língua materna e o esforço todo é dirigido a traduzir rapidamente. O aluno dificilmente alcançará espontaneidade na comunicação.
Entretanto, se “aprender inglês” significa falar com naturalidade, sentir-se à vontade na presença de estrangeiros, acompanhar filmes e notícias da BBC ou CNN sem legenda, ter acesso à toda informação disponível na internet, argumentar e defender seus pontos de vista, construir laços de amizade ou namorar pessoas que só falam inglês, conhecer os costumes e as diferenças culturais, notar quando alguem fala com sotaque, então você está pelo menos no caminho certo.
No caso acima, “aprender inglês” significa desenvolver habilidade funcional. É o que a linguística moderna denomina de “language acquisition” ou assimilação natural. É um processo equivalente ao de assimilação da língua materna pelas crianças.É re-aprender a estruturar o pensamento, desta vez nas formas de uma nova língua. Cada um se desenvolve no seu próprio ritmo, num processo que produz habilidade prática, comunicação criativa e não necessariamente conhecimento. É comportamento humano, fruto de situações reais de interação em ambientes de cultura estrangeira. O aprendiz é protagonista e não espectador, e sua realidade faz parte do contexto em que a comunicação ocorre. Ensino e aprendizado são vistos como atividades que ocorrem num plano pessoal-psicológico.
Portanto, quando pensamos em “aprender inglês” precisamos entender exatamente o que queremos para saber onde buscá-lo.
Texto de Ricardo Schütz: “Como escolher um Programa de inglês”
http://www.sk.com.br/sk-como-html>. Online 26 de outubro de 2006. |